segunda-feira, 8 de novembro de 2010

D&D4E, NPCs e Skill Chalenges

O Bom e velho combate é a forma mais habitual de resolver os problemas e diferenças entre os PCs e NPCs ou monstros no mundo de D&D. Além dos combates sempre existiram outras formas de ameaçar os personagens, como terrenos dificultosos, dungeons contendo armadilhas deixadas ali pelos sádicos templários de uma seita morta ou dificuldades naturais mais básicas como poços de lava ou tempestades.

Bom, além disso outra possibilidade de encontro dentro do D&D são os chamados encontros sociais. Encontros que tem uma maior função diplomática, onde os personagens procuram convencer um NPC de alguma coisa ou extrair informações de uma criatura, seja NPC ou Monstro. Esse tipo de negociata costumava ocupar puramente o plano do Role Play, e usamos um conjunto de cheques de Charisma e Wisdow, Inteligence e assim por diante, como referências para o resultado, separando o carisma natural do jogador do Charisma (CHA) do personagem.

A mecânica do Skill Chalenge surgiu para dar uma forma mais bem estruturada para os intermináveis cheques aos quais os personagens costumeiramente se deparam. O Skill Chalenge, é por definição uma seqüência de tentativas de cheques sugeridos pelos personagens ou pelo DM, objetivando um número específico de sucessos contra derrotas, para ao fim arbitrar se os personagens foram bem sucedidos numa determinada empreitada. O Skill Chalenge é usado em ocasiões mais complexas onde o resultado pode representar uma situação determinante para a aventura, seja para bem ou para mal. Cada Skill Chalenge tem um level, complexidade e prêmio em XP de acordo com a dificuldade. Checks normais como saltar obstáculos, ou dar uma pancada para arrombar uma porta não são Skill Chalenges, mas simplesmente Skill checks, ou Hability Checks.

O interessante é que Skill Chalenges te utilizações infinitas, pode ser uma negociação como no exempo a seguir, como pode ser para tentar abrir um portal mágico, um duelo de ladinagem entre ladrões, pode ser usando para tentar descobrir o sentido de runas mágicas antigas ou uma competição entre músicos na corte para impressionar o rei. Enfim toda e qualquer situação de jogo, seja Role play, ou mesmo dentro de combates pode ser resolvida usando essa mecânica. How cool is that?

Alguns recentes Skill Chalenges na minha Party foram bem interessantes, Eis aqui um exemplo:

Convencendo Michou

Na aventura anterior personagens se depararam com a necessidade de convencer Michou, o velho bruxo louco do Pântano a ajudá-los. Michou fora outrora um bruxo mentalmente são e quase chegou a se tornar um personagem influente. Seu constante contato com a agrestia das fadas lhe roubou parte de sua sanidade, impedidno sua ascensão entre a sociedade. Tornando-se um ermitão, o bruxo um tanto quanto recluso, tinha em algum lugar de sua mente informações cruciais para os personagens conseguirem derrotar um de seus algozes. E mais eles sabiam que Michou havia sido desafeto desse algoz, Aocriumm.

Logo de cara a coisa se desenrolou mais pro lado da ignorância. Os personagens invadiram a casa de Michou que não foi nada hospitaleiro. Após lutarem com sua Coruja Gigante, Grawlingar, e com o Próprio Michou, eles conseguem mudar o plano da porradaria para a diplomacia. Os ânimos se acalmaram, e após um pouco de chá de Ervas do pântano e umas boas tragadas de seu cachimbo, o grupo se tornou deveras mais amigável.

Convencer Michou a contra o que precisavam aos PCs era um Skill Chalenge médio. Iria requer uma série de acertos em cheques específicos, antes de 3 fracassos. Usaram Cheques de Diplomacia, para provar que estavam falando a verdade, e mostrar que os habitantes da antiga cidade de Michou estavam em grande perigo. Os Pcs só teriam acesso á rolagem de dados em cheques dessa natureza após o devido Roleplay. Não foram tão bem na diplomacia, mas com cheques de Intuição conseguiram perceber algumas afinidades de Michou, assim como seu interesse por rituais exotéricos. Com a perícia Blefe, prometeram em troca alguns pergaminhos de rituais que interessaram a Michou. Usando a perícia Nature, mostraram conhecimento sobre fadas e seres associados aos pântanos, seres esses que estavam em comunhão com Michou, e prometeram ajudá-los. No fim após toda uma rodada de negociações, o sucesso foi tão grande, regado pelas boas idéias dos players para convencer o velho bruxo, que ele não só passou as informações que eles precisavam, como foi junto com os PCs na expedição final contra o inimigo comum ( o que não estava “previsto” na aventura propriamente). A presença de Michou e sua coruja, foi um Boost bem grande para o grupo ao enfrentar um inimigo poderoso, e o dragão Faralgthar de quebra. Além do benefício prático, a presença de Michou na parte final da aventura adicionou muito mais diversão á aventura.



Na foto tem um combate com as miniaturas e Tiles, ocorreu antes de entrarem na fortaleza de Aocriumm. Michou se encontra na água, onde consegue melhor aproveitar seus poderes, que usam água como matéria prima. Ele cria rajadas de água ou usa a Água para engolfar e afogar os coitados dos adversários. Tem a coruja dele, Grawlingar, dando uma força pra galera também. Foi bem divertido!
A Aparição de Michou após tantos anos me levou àquele sentimento de nostalgia, que me fez querer encontrar o Daniel (Búfalo) de novo, Bons tempos aqueles onde Michou era um PC, acho que foi a única vez que o Daniel jogou como PC. Sempre é gostoso usa antigos PCs como NPCs, eu não me canso de fazer isso. Eu dei uma boa remodelada no personagem, mas basicamente ele manteve a característica principal, de ser meio “louquinho” e a coisa do Hag. Nessa edição do personagem, ele seria um bruxo do Pântano, em termos de classe de jogo um Warlock (Bruxo) que obteve os sua poderes através de um “Pacto Feérico”. Conforme visitava a agrestia das fadas constantemente, Michou começou a perder sua sanidade e o contato com o Mundo Natural. Com o tempo passou a falar na linguagem das fadas, e praticamente esqueceu o dialeto comum. Sua aparência se modificou, ele ficou azulado e com escamas, pouco restava do homem que fora antigamente.

Aqui tem a ficha de Estatísticas dele (Stats card), que fiz usando o Monster Builder, do Adventure Tools da WoTC, um software que é uma mão na roda pra criar Monstros e NPCs. Fiz o que recomenda o DMG. Peguei um template pronto, depois foi só dar um tapinha aqui e ali, ajustar alguns poderes, e lá estava ele, Michou turbo 4th edition, ready to GO! Vejam o que acham dos poderes, pretty cool hey? Fiquei pensando como seria Valtimorh ou Simon na versão 4E? Poderes como Rogar Pragas, Convocar Sombras, Chamado do Pássaro Negro... Já o Simon mais uma máquina de Bakcstabs mortais! Fun...O Arklan (Fedor) então, é só tirar direto do MM. Quem sabe eles sejam meus NPCs nas próximas aventuras também! O que vocês acham heim?

3 comentários:

Érico Tashiro disse...

Fala Turma,

Sendo bem sincero estou bem por fora das novas regras da 4th, porém a essência do jogo prevalece. Como já disse anteriormente o Role Play deve ser considerado sempre mais importante que a burocracia dos checks. Os checks são secundários, uma boa interpretação deve beneficiar o personagem. Como exemplo cito o dialogo de Nayaha com o Gigante de duas cabeças tentando acalmá-lo. Sobre encontrar Michou pessoalmente e tentar convence-lo eu já acho uma tarefa muito difícil, risos... Medo de ser um personagem nesta aventura, não queria estar na pele deles não. Um velho maluco e perigoso como ele nunca é bom ter muito contato. Imprevisível ele é e suas atitudes não são nada convencionais, então, exige muito cautela. Quem gostaria de ter um encontro com Michou para tomar um chazinho? hauhauhauha, eu não! Sobre os novos moldes de criação de personagens eu achei muito interessante, posto que eles são únicos. Adaptar um personagem com as regras e incluir características pessoais é o segredo da elaboração de um bom charater, já que nas primeiras edições todo guerreiro, clérigo, mago e ladrão ao final da montagem do personagem ficava muito semelhante aos demais de sua classe. A criação de personagens únicos com peculiaridades individualizadas favorece a interpretação e a jogabilidade, contudo sempre devem ser observados alguns requisitos e atributos da classe e do level do personagem escolhido. Habilidades "especiais" ou particularidades deste character sempre devem estar balanceadas de acordo com a proposta do personagem. Claro, sempre fundamentada por um rico background e uma lógica que antes deve ser debatida com o DM da aventura.

Carlos disse...

Pois é... interessante isso que vocÊ comentou. Mesmo sem "Skill Chalenge" esse tipo de situação sempre foi levada através do bom e velho Roleplay. No fim premiávamos em XP as boas idéias, e no caso da cena da Nayaha não foi diferente. Toda a situação foi resolvida com Role Play em primeiro lugar. Sem nem rolar dados. O que o Skill Chalenge propõe é uma forma de "estruturar" essas situações. É uma mecânica interessante, mas você tem toda razão no sentido de que o Roleplay vem em primeiro lugar, "mais importante que a burocracia dos cheques". Estes devem ocorrer naturalmente no meio da ação, e não ser um impecilho, mas sempre um auxílio para determinar as capacidades dos personagens. Perfeito, não posso concordar mais.

Carlos disse...

No fim é uma coisa que a edição atual formatou de uma maneira específica, porém sempre fizemos a mesma coisa de uma forma um pouco diferente no AD&Dzão. As duas são válidas sem dúvida