quinta-feira, 26 de maio de 2011

As Pedras da Aniquilação - Episódio 6

Episódio 6 – no Templos Profadados
Seção 8
A sessão 8 foi muito empolgante, essa sessão vai ser lembrado por um bom tempo. O RolePlay do grupo foi o melhor até agora nessa sessão, a imersão foi muito boa em muitas cenas. Os jogadores incorporando os seus characters em primeira pessoa em várias oportunidades. Qualidade de Role play muito alta. Todos estão de parabéns! A sessão contou com um curtíssimo combate contra Goblins bêbados e adormecidos, e a parte mais importante, um Skill Chalenge onde todos os characters ajudaram a livrar o Templo de Aliadannan da presença de Humukuk, divindade Góblin que havia se apossado do local.

Adentrando na Praça o grupo encontra um complexo de Templos e Santuários unidos pela praça central, revelam a veneração de vários deuses nessa local numa outra época mais civilizada. No centro da praça quatro grandes estátuas anunciam mal agouros: Esódiros, divindade da cura com sua cabeça cortada. Aliadanann, com sua mão decepada.  Shaades caída e despedaçada. Da quarta estátua restava apenas o pedestal. As estátuas estavam recobertas de grafites goblins, negros e vermelhos. Goblins adormecidos a beirada de uma fogueira repousam embriagados após uma noite de badalações e orgias. A visão de tal cena causa perturbação aos heróis. Turgon convoca o grupo para que o ajudem a compensar essa situação, seriam de grande desagrado aos Deuses deixar o local nesse estado. O grupo concorda prontamente. Ainda essa noite as Casas de Festejos dos Goblins tornar-se-iam solo sagrado novamente.
Turgon invoca a presença de Urundur, o espírito das matas que se manifesta fisicamente como um Urso, seu companheiro animal. Muito cautelosamente os heróis seguem pela praça. Yagohe, como batedor cruza o terreno na frente verificando a presença pequena de Goblins na praça. O grupo vai em seguida. Torin mal consegue segurar o seu Machado vendo Goblins dormindo, um alvo fácil para esse mestre em armas. Em sua investigação Yagohe percebe a presença de um pássaro espiritual branco voando sobre o Templo de Aliadannan. A presença de poucos goblins na área se explica pelo alarde criado anteriormente, pela presença dos Orcs na cidade. Os Goblins foram alertados para que fugissem dali, alguns dos Goblins milicos convocados a prestar guarda no centro da cidade. Os poucos que estavam embriagados o bastante para não perceber o aviso tiveram um destino desagradável. Sem que percebessem o que os atinge, o grupo os aniquila rapidamente, seguindo em silêncio pela praça deserta até o grande Templo. 
O  pessoal respeitou muuito os Goblins. A tensão era tão grande que mesmo um bandinho de Goblins bêbados foi levado muito a sério. Depois eles viram que o grupo está muito acima dessa ameaça.
Os quatro santuários menores que preenchiam a circunferência do complexo estavam semi depredados, e costumavam ser prestados a Shaades, Esóriros e Ellanos. Os Goblins tiveram o cuidado de Destruir o Santuário a Moradim completamente. No Templo principal a inscrição em grafia típica do império velho: QUE A MÃO SVAVE DE ALIADANNAN REPOVSE SOBRE TÍ.  Yagohe entra rapidamente em busca do pássaro, ou alguma informação revelada por ele. O pássaro havia habitado os sonhos de Yagohe por muitas vezes, mostrando a imagem de seu tio ferido, debilitado, quase morto. Yagohe parece estar próximo de encontrar o que procura.  Turgon segue apressado, seguido de seus companheiros, Nayaha entra por último tomando conta da retaguarda do grupo e certificando-se de que nenhum goblins percebesse a movimentação.
Dentro do Templo, a mesma situação da praça, restos de um banquete Golbin, misturado a seus excrementos contaminam toda a construção. As quatro estátuas nos cantos do templo estão derrubadas, a piscina central, no meio do altar onde costumava ser depositada a água sagrada, está negra, com uma mistura pútrida de restos fétidos, sangue e urina Goblin. Nem a mais fértil mente pode imaginar os rituais vis presenciados pelas paredes desse local. Antes de os personagens poderem tomar qualquer atitude uma presença maldita foi detectada. O local escureceu, um vento enorme digno de uma tormenta carregava objetos pela sala, as capas dos personagens levadas pelo vento. Turgon reconhece a presença maligna, Humukuk, arauto de Magubliyet, divindade Goblin estava presente no local.  
Essa cena foi mítica, o pessoal foi pego de surpresa total. Uma coisa é você ir enfrentar um dragão, sabendo do fato, e se preparar para tanto, outra é você entrar num local totalmente sem esperar algo do gênero e encontrar uma aparição demoníaca. O personagem do Boi até titubeou no começo, será que a gente vaza daqui? Encheram-se de coragem e resolveram encarar o desafio de frente. Foi bem épica a cena, senti o senso de perigo no grupo.

O grupo decide começar a remover os elementos de profanação mais claros. Yagohe, mesmo sem força física faz o que pode para começar a levantar as estátuas caídas. Turgon, com ajuda dos demais completa um ritual para converter a água pútrida do tanque no altar. Humukuk não pretende deixar, e isso custa a  Turgon pulsos de Cura, que retiram sua vitalidade. A ajuda de Cormak foi crucial para a conclusão do ritual, tornando a água pura novamente. Concedendo a força do Urso a Yagohe Turgon almenta sua força e num esforço máximo o pequeno Yagohe conclui o hercúleo esforço de levantar a estátua de Delonthaay, um anjo élfico servo de Aliadanan. Torin se encumbe de levantar as demais com a sua força de guerreiro. Tudo isso dentro de uma tempestade de vento e com a voz de Humukuk ressoando maledicências. Os personagens gritam para se comunicar. Yagohe usa prestidigitação e mãos mágicas para limpar a área dos restos deixados pelos Goblins, algo muito parecido com as vassouras mágicas de Merlin. Cormak e Nayaha ajudam manualmente na limpeza do local. Com as estátuas de pé Turgon convoca a presença de Lolindir e Aliadanan. As preces são ouvidas e a imagem do anjo Delonthaay surge radiante pondo um fim à manifestação de Humukuk.  No final um ritual com cânticos e orações, expurga a presença maldita do local.  Através de Lolindir, o templo de Aliadannan foi salvo por um druida e seus companheiros.  Hoje Aliadannan está em débito para com Lolindir. O grupo pára por um instante para se recompor, Turgon sente-se exaurido, porém ele ainda trabalharia mais um pouco no dia de hoje. 

Do alto de um mezanino, repentinamente cai um corpo. Chocado Yagohe corre na direção da figura que se espatifa no chão. Verificando percebe que se trata de um Eladrin, mal tratado, trajado em mantos nobres desgastados e em seu leito de morte, dando os últimos suspiros. Era Atheil Liebersimm, Yagohe grita, Tio! Tio! Ele está morrendo. Foi muito massa esse momento por que deixei o Érico mesmo rolar o Saving VS Death do tio dele, naqueles momentos em slowmotion antes de o socorro aparecer, responsabilidade grande! Surge Turgon para a uma última boa ação, e com a sua Palavra de Cura lança as bênçãos de Lolindir sobre Ataheil. O Eladrin sai do estado de quase morte, e respira aliviado. Yagohe pergunto o que acontecera, por que teria ele caído do alto do mezanino no templo? Ainda em estado de choque, Athaeil conta que presenciou silenciosamente a cena do exorcismo de Humukuk, e ficou arrebatado com a presença divina, e inexplicavelmente ficou paralisado, sem ação. Por fim suas forças foram drenadas pela energia radiante do lugar e desfaleceu, por fim caindo do mezanino a vários metros de altura. Turgon presta o auxílio que pode preparando uma poção. Numa cama improvisada por Yagohe, seu tio Athaeil descansa por algumas horas.
Revelações de Athaeil
Ao acordar, Athaeil é questionado por Yagohe e Turgon, o que fazia na cidade de Cormmanthur? Athaeil agradece por terem o salvo e conta que costumava ser um nobre na cidade. Ele teria abandonado Atcali desgostoso com a política dos Eladrin, e desafeto de Alahe Liebersimm, pai de Yagohe após diversas desavenças. Para Athaeil, o conselho dos Magicistas, que governa Atcali a muito não existe, pois perdeu sua essência. Ele conta que na época rodou meio mundo atrás do sobrinho sem sucesso. Devido á admiração pelos humanos conseguiu se fixar como nobre na cidade de Cormmanthur, comprando com ouro Atcaliano os títulos necessários. Ele viveu anos felizes no local, mas não duraram muito. Os mesmos humanos que o admiravam, acabam por traí-lo na queda de Cormmanthur. Ele conta que não era bem visto por outros nobres que disputavam a atenção de Treona, e deixa implícito uma relação amorosa, possivelmente ilegítima. Ele não explica a fundo que tipo de traição sofreu, mas fica surpreso ao descobrir que Treona está viva, e afirma estar sofrendo uma maldição terrível vivendo nas catacumbas em baixo dos templos, e nos cantos escuros, se esgueirando de Goblins que costumeiramente o atacam.  Ao ser alertado por Turgon de que o grupo busca uma pedra da aniquilação, ele avisa que conhece as pedras, mas todas foram destruídas. Porém, para sua surpresa, Turgon conta da recém descoberta da Nona Pedra da Aniquilação, relatada em Tomos a muito perdidos que foram escavados por Goblins ou Kobolds que vasculham os poços mais escuros em busca de tesouros perdidos. Até mesmo para Treona tais tomos passaram-se despercebidos por anos. Ao saber sobre isso Ataheil fica extremamente preocupado. Talvez seja essa presença que ainda corrompe a cidade, afinal. Ele abaixa a vista e perde a firmeza nas pernas por um instante. Eram muitas revelações no mesmo momento. Ataheil precisa de um pouco de água fresca, e um descanso.  Uma refeição não faria mal também ao grupo, faminto.
Nesse momento o silêncio é quebrado. Em linguagem comum carregada do sotaque típico de Goblins ressoa uma voz perversa vindo das sombras ao fundo do templo: “Eladrin!!! Agora nós o pegamos. Não vai escapar dessa vez!” A figura emerge das sombras não desacompanhada. Yagohe grita - Mais Goblins!!!
As próximas sessoes prometem!  Até lá!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

As Pedras da Aniquilação - Episódio 5

Episódio 5 – Fuga em Gorizbadd
Seção 7
As seções 7 e 8 formam de uma qualidade de Role Play extrema. Gostei muito mesmo de ver em alguns momentos os jogadores alterando o tom de voz e de fato “incorporando” os characters em primeira pessoa. A evolução do grupo tem sido a passos largos a cada seção e as personalidades estão começando a emergir cada vez mais. 
Continuando com o interrogatório ao Goblin Rorth, Torin o ameaçou como pode, dando umas pancadas com o cabo do machado. Pretendia extrair alguma informação sobre a passagem de Dwarfs no local, recentemente ou a algum tempo. O Goblin pouco sabia, a não ser que Dwarfs eram desprezíveis. Turgon e Yagohe também o questionam, mas poucas informações extras foram obtidas. O grupo resolve deixar o Goblin amarrado a sua própria sorte, para se entender com os seus inquilinos, os Oozes.  Na saída do Templo com turgon a frente o grupo é surpreendido por uma emboscada Goblin. Eram os lacaios de Rorth que voltam para salvar o seu mestre sem muito sucesso. Com as Flechas Rápidas de Nayaha e Yagohe os primeiros tombam. Torin e Turgon derrubam os próximos sem demora. Um daqueles combates relâmpago. Os Goblins não são nem de longe páreo para o heróico grupo. Algo mais preocupante deixara seus rastros nítidos no caminho dos personagens. A próxima parada seria nas Casas de Banho, possível covil de Tyristys, ao extremo norte da cidade. Exata direção para onde levavam os Rastros dos Corta Olhos. 
No caminho rumo ao norte o grupo se depara com uma milícia Goblin, já num contingente mais ameaçador, algo que se prefere evitar, algo acima de 30 Goblins, razoavelmente armados, quem sabe até treinados. A milícia em polvorosa patrulhava as ruas da cidade desordenadamente, alguns Goblins com seus olhos marcados mostrava o motivo da movimentação. Os Orcs passaram por ali antes dos heróis, e não se preocuparam em não deixar vestígios. Aproveitando a preocupação da milícia Goblinóide, os heróis se esgueiram por passagens perigosas por uma ala elevada das ruínas. Cruzando uma escadaria a 10 metros de altura o grupo é notado por um destacamento Goblin, mas Torin derruba a frágil escadaria impossibilitando os Goblins de os seguirem.  Com a máxima furtividade o grupo manobra desviando da milícia Goblin, e chega em relativa segurança numa área mais deserta, mais silenciosa.
A perturbadora visão do complexo de Templos profanados e transformados em praça de entretenimento pelos Goblins pega os personagens de surpresa. Restos de comida por toda parte e alguns Goblins adormecidos, embriagados á beira da fogueira, ainda fumegando as últimas cinzas mostram que a última noite foi de festejos. As imagens de Deuses profanadas e despedaçadas demonstram a estado decadente e de abandono do terreno que fora outrora sagrado.  Com Turgon, o Druída seguidor de Lolindir à frente, se depender desse grupo de heróis, Isso não continuará assim por muito tempo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

D&D 4E - Quest

Um dos elementos mais importantes do RPG é o conceito de "Aventura" que se define de diversas formas, mas o principal elemento é o mesmo de qualquer boa trama independente da mídia, o surgimento de um problema. Geralmente a aventura é o desenrolar da história em direção á resolução do mesmo.

No RPG estilo D&D é comum que a solução desse problema repercuta em diversos problemas menores no trajeto que podem ser pequenos encontros, puzzles, diálogos com NPCs, mistérios ou combates em larga escala. É justamente nesses miolos da aventura que novas sementes vão surgindo e naturalmente “abrindo” a possibilidade de novas aventuras. Ajudando o DM a organizar a sua vida o D&D 4E implantou o simples método de Major Quest e Minor Quest, sendo Major a aventura principal e Minor ganchos secundários que ocorrem no meio da coisa. Há uma recompensa de XP para o grupo ao completar cada Quest, igual a um encontro de mesmo nível do Quest.

A quantidade de Quests que podem ir se abrindo durante a aventura principal é infinita, e depende só dos jogadores. Seguir ou não um Quest é simplesmente uma decisão do grupo, claro. No nosso caso, mesmo com pouco tempo de jogo, já temos vários Minor Quests abertos além do Major Quest, que é o tema inicial da aventura. Muitos dos Quests são relacionados aos Backgrounds dos personagens, mas contam como XP para o grupo todo que auxiliar no cumprimento daquele objetivo.

Bom, em termos práticos para o nosso grupo, resolvi implantar os Quests em aberto, em cartões que vão ser distribuídos na mesa do FG2. Acho que isso vai ajudar no Roleplay do grupo e na organização das infinitas atividades dos jogadores conforme vamos mergulhando na campanha, principalmente para refrescar a memória entre as pausas prolongadas quando não podemos jogar num fim de semana ou outro. O surgimento e desaparecimento desses Quests vais ser dinâmico, e é mais do que recomendável que os próprios players sugiram Quests que lhes interessem no decorrer do jogo, ou para seções futuras. Os personagens é que mandam na aventura!

Cliquem a imagem abaixo, ela contém os cards abertos com todos os Quests da nossa Party. Nice hey? Abraços e até a próxima aventura!


terça-feira, 17 de maio de 2011

Crônicas de um Druída

Pessoal, este texto trata do episódio 4 e 5 da aventura Pedras da Aniquilação, experiência vivida nas duas últimas seções, sob o ponto de vista de Turgon, o Druída. Este é o meu primeiro texto com o personagem,  continuarei a escrever conforme o desenvolvimento da aventura. Espero que gostem.

Na Biblioteca de Gorizbadd

A Visita

Estava sob uma árvore observando algumas formigas.  Uma delas carregava uma folha de orquídea e isso é um presságio. É uma mensagem de Lolindir dizendo que algo estaria para acontecer e que eu teria que tomar uma decisão difícil.  Orquídeas são flores tímidas que mostram sua beleza em alguns momentos do ano. Porque a formiga tinha escolhido a orquídea diante de tantas folhas na floresta? Antes que eu pudesse refletir mais meu sonho foi subitamente interrompido por um barulho de flecha e passos muito apressados em meio a um grito de dor.
                Como um cão selvagem que sente seu território invadido, acordei e corri em direção ao som e vi uma cena patética: um goblin tentando passar por um buraco e um elfo puxando-o pela perna como quem pega um coelho. Tão breve a situação foi controlada por Yagohe, Thorîn e eu chegamos para entender o que tinha acontecido.
                A pequena criatura aproveitou o véu da  noite para  entrar furtivamente na biblioteca de Gorizbadd e pegar alguma coisa. As dúvidas surgiram e toda pergunta requer uma resposta. A situação que não era boa para o goblin ficaria pior, muito pior.
                A criatura gritava repetidamente “solte-me!”, “solte-me!” “deixe-me ir!”. Yagohe colocou a criatura num canto e perguntou alguma coisa que não compreendi, ele falava a língua da criatura.  Esta esbravejava alguma coisa. Neste intervalo percebi que ela portava um cajado. Somente um ser dotado de uma inteligência mais elaborada portaria algo que serve para canalizar energias e proferir magias. Enquanto pensava nisso, retirei o cajado de suas costas. O goblin continuava discutindo com o elfo, o tom de voz agudo da criatura me irritava profundamente, por isso um tapa com força e ordenei que falasse em língua comum. Tinhosa a criatura me ignorou e continuava sua discussão com Yagohe.
                 Eu precisava me controlar, talvez o fato de ter um sonho importante interrompido tenha me deixado mais áspero. O  Goblin tagarelava e exceto pelo elfo, ninguém mais compreendia.  Não sei o que disse mas foi suficiente para Yagohe pegar sua adaga e a pressionar gentilmente contra aquele pescoço frágil – o interrogatório chegara a outro nível.
                Em língua comum o elfo perguntou:
                - Quem é você?
                Entre grunhidos indefinidos compreendi:
                - Rorth! E em linguagem comum ele disse:
                - Deixar eu ir! Rorth só pegar livros!
                - Quem te mandou aqui? Perguntou Thorîn com sua voz grave.
                -Ahhh! Ninguém! Rorth Sozinho! Ninguém mandar Rorth!
Yagohe segurava a adaga com firmeza, se a criatura respirasse mais fundo provavelmente cortaria a garganta.
A criatura começou a explicar que visitava a biblioteca todas as noites em busca de novos rituais de magia. Ele rasgava as páginas que interessava e tentava executá-los. Pela quantidade de páginas destruídas que encontramos era fácil dizer que a maioria das tentativas era sem sucesso. Muitas páginas era comidas por Rorth numa tentativa de introjetar o poder e daí vem seu nome: Rorth Rasgatomo.
                Perguntei a ele o que aconteceu com o telhado da biblioteca. Ele disse que antigamente muitos goblins moravam ali, mas, um dia uma criatura alada veio e arrancou o telhado. Era uma criatura cuspidora de fogo. Ele lembrou que a criatura era cinza ou algo parecido com isso. Yagohe exigiu mais detalhes. Rorth disse que a criatura deve morar num  lugar onde os humanos tomam banho.
                - Para que tomar Banho? Humanos são nojentos! Assim ele pensava.
                Depois de algumas ameaças ele confirmou detalhes da localização deste lugar onde deduzimos ser uma casa de banhos.
                O problema de responder perguntas é que estas são incansáveis. Quanto mais respostas, mais perguntas.
                Eu caminhava de um lado a outro analisando as respostas de Rorth. Juntando as peças percebi que esta criatura alada retirou a nona pedra da biblioteca. Se a criatura o fez, ela ou alguém junto a ela tem conhecimento do ritual que permite perceber sua presença.
                Estamos lidando duas ameaças. Uma delas eram os orcs na entrada da Biblioteca!  Diante desta conclusão, voltei a olhar a criatura que agora tentava negociar sua vida e ainda barganhar algum item para sua coleção. Quem, numa situação destas tenta negociar? Redirecionei a conversa para compreender melhor quem são nossos adversários. Pelo menos um deles.
Rorth estava cansado e queria ser solto a qualquer custo. Cooperava pouco e disse que não poderia dizer mais nada ou seria morto.
                -Por quem? Eu perguntei e tremendo muito ele respondeu:
                - Hu-Jat vai me matar se eu disser!
                - Você já disse! O que ele vai pensar quando eu contar a ele que você nos levou a ele? Façamos o seguinte Rorth, você me responde o que quero saber e eu te deixo viver!
                O medo era tão grande que ele mal respondia. Eu insisti para que ele acenasse se tivesse compreendido e ele o fez. Depois de algumas perguntas ao agora mais participativo Rorth, descobri com a ajuda de Thorîn que o grupo de Orcs que estão em frente a biblioteca são fiéis a Grummsh, o Deus Caolho. Um seguidor deste Deus desconhece misericórdia. Eu sei disso porque já cruzamos nossos caminhos no passado. Vi do que são capazes e quanto são motivados em combate. Seja quem tenha os tenha escolhido como braço, tem em seu coração o desejo de um serviço feito à qualquer custo e muita maldade!
Que Lolindir nos proteja!
               


Encontros e Destinos

        Depois de obter respostas suficientes para nos direcionarmos, começamos a pensar no que fazer com o goblin. Solto ele traria problemas , buscaria ajuda e buscaria vingança. Matá-lo seria algo cruel e nos colocaria no mesmo nível que os seguidores de Grummsh. Mestre Thorîn decidiu nocauteá-lo. Aproveitamos os conhecimentos de Nayaha para amarrar  Rorth no mesmo local em que enfrentamos as oozes. Se este Goblin teme algum deus, que comece suas preces, pois o seu destino foi entregue a ele.
                Enquanto nos preparávamos para sair, comecei a sentir alguma presença nos observando, pressentia algum perigo. Por um momento fiquei desorientado, tentando entender o que tinha sentido. Agitado, comecei a olhar para o céu e tentando detectar de onde vinha tal ameaça. Nada vi, nada ouvi. O mestre anão satirizava:
                - Humanos e suas intuições!
                Fiquei frustrado comigo mesmo. Como pude não compreender um sinal tão forte quanto este! Seguimos nosso caminho sem pressa. Estávamos analisando qual a melhor estratégia para chegar a casa de banho. Passamos por uma sala com uma imensa estátua de Alliadanan abençoando a biblioteca com sua mão estendida, um sinal de tempos mais civilizados, um sinal de que a sabedoria não pode ser tomada pelo caos de uma profanação!
                 Quando saímos desta sala meu sentimento de tranquilidade foi substituído por um arrepio na espinha. Mal tive tempo de olhar para o lado quando vi uma criatura  prestes a desferir um ataque surpresa. Só tive tempo para gritar:
                -Goblins! O grito saiu sem pensar. Não havia tempo.
                O grupo parou bruscamente em alerta enquanto quatro goblins pularam dos locais onde se escondiam. Era uma emboscada!  Espadas curtas e motivadas. Seriam essas que nos escaparam na entrada?
                Sem perder tempo dois goblins cercaram Thorîn enquanto outros usavam a mesma estratégia comigo. Uma das criaturas tentou investir sua espada contra mim, mas toscamente pisou numa pedra e perdeu o equilíbrio. Obrigado Lolindir! O erro foi suficiente para eu acertar seu peito com minha maça. O barulho dos ossos se quebrando ao encontrar uma bola de ferro e o movimento do corpo do goblin se deslocando sem vida é uma imagem e tanto . Sem perder tempo, Yagohe e sua incrível destreza atirou duas flechas com destinos mortais para nossos agressores. O som  que fizeram atingiram notas maiores que o balbuciar de suas vitimas.  Mestre Thorîn não deixou por menos e com seu machado praticamente dividiu uma criatura.
                Antes que o machado pudesse decidir o destino do último goblin eu o acertei com uma pedra lançada por minha atiradeira. Foi mortal.
Silêncio, era tudo o que podia ouvir após a última criatura cair no chão. A quietude após um combate é tão grande que é possível ouvir as almas caminhando ainda desorientadas. Seus corpos ainda quentes ainda tinham um trabalho a fazer - mostrar as marcas feitas pelos Orcs. Estes goblins foram torturados e marcados com o símbolo de Grummsh. Essas marcas são feitas depois que um olho é arrancado enquanto o ferro que deixa a marca arde na brasa. Só Ellanos sabe como sobreviveram!
                Em nenhum momento fui tomado por arrependimento, havia muito no que pensar, nosso objetivo estava em risco! Orcs, criaturas aladas, figuras que ainda estavam  ocultas. Todo passo precisava ser medido e rápido.
                Nayaha escondeu os corpos de forma que não fossem encontrados ao acaso, enquanto isso Thorîn parecia insatisfeito com a exploração que fizemos na biblioteca e estava ansioso por novas respostas.  Aceitei de bom grado participar desta exploração, afinal era um bom momento para analisar com mais cuidado o sonho que tive.
                Enquanto o mestre anão percorria outros lugares da biblioteca eu analisei as pegadas dos Orcs. Elas iam para noroeste. Se Rorth nos deu essa informação, é bem possível que os Orcs também a tenha. Casa de Banho, esse era nosso destino e nossos concorrentes já partiram.
                 Antes de tirar qualquer outra conclusão, vi uma fumaça ao norte. Não era nenhum sinal, pelo menos não com a intenção de se comunicar, algo queimava. Nossos adversários são destemidos. Precisamos alcançá-los sem demora e sem perder o efeito surpresa.
                - Türgon! Gritou mestre Thorîn.
                Rapidamente me dirigi a ele. A descoberta que fez era importante. Era o caminho que Rorth usava para entrar na biblioteca. Um pequeno túnel paralelo que não sabemos onde ele leva, mas possivelmente o destino seria a toca do profanador de bibliotecas. Acredito que lá existam mais informações. Páginas que o Rasgatomo não compreendeu. Talvez noutro momento sigamos esta trilha, no momento nosso destino está em outro lugar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

As Pedras da Aniquilação - Episódio 4


Episódio 4 - Na Biblioteca de Gorizbadd
Seção -  6
Yagohe inicia a realização do ritual para detectar as Pedras da Aniquilação, mas no meio disso a porta começa a se abrir. Torîn tenta conter a porta que se abre, dando alguns segundos finais para a conclusão do ritual...
Após algum tempo, Torîn acaba cedendo e quando a porta de pedra se abre, ocorre o inesperado, ao invés de Goblins saírem atacando os Personagens, eles se assustam com a visão intimidadora de Torîn, e fogem para os buracos escuros nas salas adjacentes. Yagohe conclui o ritual e não percebe a presença da Pedra no local, porém, a magia arcana muito forte da pedra ficara impregnada em toda a construção, e usando de seus conhecimentos de arcanismo, o eladrin deduz que a pedra havia repousado por muito tempo nessa biblioteca, mas havia sido retirada do local. 
O grupo decide investigar o restante da estrutura, e averiguar os goblins fugidios que podem representar um problema. Ao entraram nos aposentos habitados pelos goblins o grupo encontra o lugar cheio de pedaços de livros e antigos tomos destruídos e começam uma busca por possíveis informações no que restava dos livros. Sem demora o grupo percebe rastros de um dragão no local, garras e marcas de fogo. Torîn e Turgon saem vasculhar uma pequena catacumba mais a baixo do nível da biblioteca, lá descobrem uma passagem secreta usada pelos Goblins, além de mais algumas estantes muito grandes e antigas contendo mais livros velhos e rasgados. O local também era habitado por alguns Oozes que costumavam se embrenhar pelas passagens escuras em busca de uma refeição.
Gostei muito de colocar uns Oozes nessa cena, são monstros bem clássicos dos velhos Dungeons do D&D e acredito que em toda a história da nossa mesa eu havia usado esses bichos só uma vez. Na minha tentativa de contemplar os elementos clássicos do jogo, acho que contou um pontinho positivo nessa. Os Oozes são uns bichos dotados de pouca inteligência, que nem sequer enxergam, apenas se interessam em jantar os coitados que aparecem em seu território. Eles que engolfam suas vítimas para que o ácido dentro de seu corpo as corroa por dias a fio até que desapareçam de vez. D&D total fun!
Depois de sofrer com Oozes caindo do teto da sala, o grupo se desfaz deles na base do machado, e da magia. Destaque para o belo Spell do Turgon, que começou a aventura já usando um poder diário, o “Earth Roots” que é a versão nova e mais poderosa do velho “Entangle” do clérigo. Agora esse Spell é exclusivo do Druida, e cria várias raízes de plantas que emergem do chão dando pancadas e agarando os coitados que permanecerem na área. Muito foda esse Spell.
Após horas debruçados sobre pedaços desconexos de Spells Yagohe consegue ver alguma ordem nas informações, da Biblioteca. Turgon também descobre algumas coisas.  O grupo descobre que relatos que confirmam a ligação das Pedras da Aniquilação com o Disco do Chaos, que tais pedras teriam sido criadas por artesão arcanos Tielfings, e que as elas são imbuídas de forte energia vinda do plano do Chaos Elemental. Descobriram também que as pedras não podem ser usadas fora da cidade, algo que os Tiefling fizeram por auto-proteção. Com grande percepção arcana Yagohe descobre que as pedras possuíam tamanha emanação do poder do Chaos, que apesar de sua criação ter sido com a função de proteger a cidade, tamanha energia do Chaos resultaria cedo ou tarde na ruína do local.  Um dos tomos faz referência á biblioteca da “Isla Muerta” sobre um livro que trata dos “Discos de 3” revelando segredos sobre o Disco do Chaos.
Num tomo separado Turgon descobre alguns fragmentos que mencionam a destruição de várias fortificações Dwarfs ao Sul a cerca de dez anos pela mesma horda de Goblinóides que teria derrubado Cormmanthur. Tal horda é qualificada como sanguinária e muito poderosa. A queda era iminente sem a ajuda de Valendar, a sede do Clân Valendill do Leste, que deu as costas a Cormmanthur na época da queda. Torîn examina os papéis, e fica ressabiado com tal relato escrito, pois não se lembra de nenhum ocorrido similar na última década entre os reinos de Dwarfs vizinhos. Mas também se lembra que a relação entre os Dwarfs não era muito boa. Muitas vezes se encontravam apenas a cada década em certas datas festivas.
Turgon, usando o "Animal Messenger" (não confundir com MSN) envia uma mensagem a Treona atravez de uma libélula que coleta durante a noite, avisando a Ritualista que encontraram indícios sólidos da existência da nona Pedra da Aniquilação.
Após derrubar algumas estantes para esmagar Oozes, acidentalmente Torîn encontra uma passagem escondida atrás de uma parede que dava acesso a um pequeno receptáculo, violado, e vazio. Yagohe descobre que ali era onde estava escondida por anos a última pedra da aniquilação, numa pequena câmara poucos metros abaixo de uma das salas da biblioteca. As mesmas marcas encontradas na sala anterior deixam claro: Um dragão havia retirado o tesouro Dalí.
Achei bacana que o pessoal rolou dados muito altos nos Skill chalenges para descobrir informações, Acho que o Yagohe rolou 20 umas quatro vezes em Skill checks. O que revelou muita informação útil durante a seção. O gostinho de rolar 20 e soltar aquele grito “CRIIITICAL!” é uma das partes mais gostosas do RPG, não sei porquê, mas essa palavra parece liberar endorfina ou algo assim que gera uma sensação muito boa naquele momento.  Tecnicamente um “critical hit” se define numa jogada de 20 num golpe de ataque qualquer, mas é tão legal gritar “critical” que a gente faz isso mesmo em Skill checks. Agora que os checks rolados tem que ser sempre positivos, ficou ainda mais gostoso.
O link das Pedras da Aniquilação com o Disco do Chaos, foi bem legal, por que foi uma das primeiras aventuras que esse mesmo grupo fez, com personagens bem diferentes a uns 15 anos. Foi bem clássica e todos lembram dessa aventura. No futuro, desdobramentos da história trarão ainda mais revelações!
Durante a noite a chuvinha caiu para lavar as feridas dos heróis que finalmente se deram um descanso prolongado após várias batalhas. Desde a segunda seção houveram vários combates, e apenas agora se passou o primeiro dia.
Nisso dá pra sentir muito a diferença de uma edição pra outra, na 4E os personagens tem uma histamina muito mais heróica, que é representada pelos Healling Surges, o que permite que eles entrem em várias batalhas no mesmo dia e ainda saiam inteiros, ou quase. Essa dinâmica é excelente, estou gostando muito disso, pois permite ao grupo muito mais autonomia, sem precisar descansar por uma semana entre um encontro e outro, ou recorrer toda hora aos spells de clérigo que antigamente gastava tudo o que tinha pra curar a galera, e sobrava pouca coisa extra pra fazer.
Nessa seção ainda deu tempo de dar umas porradas e interrogar Rorth, o Goblin arcano que dilacerava os livros da sala onde o grupo estava passando a noite. O carinha tinha uma certa vocação para magia, costumava destruir os livros arcanos da biblioteca para alimentar seu poder arcano. Ele tentava aprender a utilizar por conta própria, a maioria das vezes sem sucesso, rituais que encontrava na biblioteca, que transformou em sua morada temporária.  No meio da noite o carinha teve coragem de voltar em sua toca pra pegar mais uns pergaminhos e se mandar Dalí, mas pro azar dele, ele se fez invisível através de ilusão, simplesmente a especialidade do Yagohe. O pessoal pegou ele na hora. Levou umas flechadas, um Pezão no peito e uma bolacha na cara por falar em linguagem Goblin ao invés de Comum. Só faltou limpar o chão com ele.  A típica interação social entre personagens saídos do PHB com criaturas saídas do Monster Manual. Mais D&D total fun! =)
 Ao interrogá-lo foram extraídas informações interessantes, como a localização do dragão que havia retirado a última pedra da aniquilação de seu esconderijo e seu nome. Segundo o Rorth, o dragão costuma fazer uns snacks de goblin, porém não liga muito pra eles, preferindo não se confrontar diretamente. Ele teria aparecido na biblioteca a um bom tempo e arrancado algum artefato Dalí, que Rorth lamentava não ter encontrado antes. Ele explica que o dragão mora no subterrâneo em baixo de um território considerado maldito pelos atuais moradores da cidade. As casas de banho, usadas pelos humanos, hoje território desabitado. O dragão seria um cuspidor de fogo, com as escamas de cor metálica que lembravam o cobre avermelhado. Seu nome é Tytistys, e ele possui a última pedra da aniquilação.
Numa nota final, o Fantasy Grounds 2 funcionou perfeitamente, ou seja não atrapalhou o jogo em nenhum momento. Senti ontem que isso ocorreu pela primeira vez. Os cheques saíram rápidos, os poderes rolados pelos dados saíram direitinho. Ainda considero um software “chatinho” mas tá ficando cada vez mais amigável de jogar D&D dentro dele.