terça-feira, 17 de maio de 2011

Crônicas de um Druída

Pessoal, este texto trata do episódio 4 e 5 da aventura Pedras da Aniquilação, experiência vivida nas duas últimas seções, sob o ponto de vista de Turgon, o Druída. Este é o meu primeiro texto com o personagem,  continuarei a escrever conforme o desenvolvimento da aventura. Espero que gostem.

Na Biblioteca de Gorizbadd

A Visita

Estava sob uma árvore observando algumas formigas.  Uma delas carregava uma folha de orquídea e isso é um presságio. É uma mensagem de Lolindir dizendo que algo estaria para acontecer e que eu teria que tomar uma decisão difícil.  Orquídeas são flores tímidas que mostram sua beleza em alguns momentos do ano. Porque a formiga tinha escolhido a orquídea diante de tantas folhas na floresta? Antes que eu pudesse refletir mais meu sonho foi subitamente interrompido por um barulho de flecha e passos muito apressados em meio a um grito de dor.
                Como um cão selvagem que sente seu território invadido, acordei e corri em direção ao som e vi uma cena patética: um goblin tentando passar por um buraco e um elfo puxando-o pela perna como quem pega um coelho. Tão breve a situação foi controlada por Yagohe, Thorîn e eu chegamos para entender o que tinha acontecido.
                A pequena criatura aproveitou o véu da  noite para  entrar furtivamente na biblioteca de Gorizbadd e pegar alguma coisa. As dúvidas surgiram e toda pergunta requer uma resposta. A situação que não era boa para o goblin ficaria pior, muito pior.
                A criatura gritava repetidamente “solte-me!”, “solte-me!” “deixe-me ir!”. Yagohe colocou a criatura num canto e perguntou alguma coisa que não compreendi, ele falava a língua da criatura.  Esta esbravejava alguma coisa. Neste intervalo percebi que ela portava um cajado. Somente um ser dotado de uma inteligência mais elaborada portaria algo que serve para canalizar energias e proferir magias. Enquanto pensava nisso, retirei o cajado de suas costas. O goblin continuava discutindo com o elfo, o tom de voz agudo da criatura me irritava profundamente, por isso um tapa com força e ordenei que falasse em língua comum. Tinhosa a criatura me ignorou e continuava sua discussão com Yagohe.
                 Eu precisava me controlar, talvez o fato de ter um sonho importante interrompido tenha me deixado mais áspero. O  Goblin tagarelava e exceto pelo elfo, ninguém mais compreendia.  Não sei o que disse mas foi suficiente para Yagohe pegar sua adaga e a pressionar gentilmente contra aquele pescoço frágil – o interrogatório chegara a outro nível.
                Em língua comum o elfo perguntou:
                - Quem é você?
                Entre grunhidos indefinidos compreendi:
                - Rorth! E em linguagem comum ele disse:
                - Deixar eu ir! Rorth só pegar livros!
                - Quem te mandou aqui? Perguntou Thorîn com sua voz grave.
                -Ahhh! Ninguém! Rorth Sozinho! Ninguém mandar Rorth!
Yagohe segurava a adaga com firmeza, se a criatura respirasse mais fundo provavelmente cortaria a garganta.
A criatura começou a explicar que visitava a biblioteca todas as noites em busca de novos rituais de magia. Ele rasgava as páginas que interessava e tentava executá-los. Pela quantidade de páginas destruídas que encontramos era fácil dizer que a maioria das tentativas era sem sucesso. Muitas páginas era comidas por Rorth numa tentativa de introjetar o poder e daí vem seu nome: Rorth Rasgatomo.
                Perguntei a ele o que aconteceu com o telhado da biblioteca. Ele disse que antigamente muitos goblins moravam ali, mas, um dia uma criatura alada veio e arrancou o telhado. Era uma criatura cuspidora de fogo. Ele lembrou que a criatura era cinza ou algo parecido com isso. Yagohe exigiu mais detalhes. Rorth disse que a criatura deve morar num  lugar onde os humanos tomam banho.
                - Para que tomar Banho? Humanos são nojentos! Assim ele pensava.
                Depois de algumas ameaças ele confirmou detalhes da localização deste lugar onde deduzimos ser uma casa de banhos.
                O problema de responder perguntas é que estas são incansáveis. Quanto mais respostas, mais perguntas.
                Eu caminhava de um lado a outro analisando as respostas de Rorth. Juntando as peças percebi que esta criatura alada retirou a nona pedra da biblioteca. Se a criatura o fez, ela ou alguém junto a ela tem conhecimento do ritual que permite perceber sua presença.
                Estamos lidando duas ameaças. Uma delas eram os orcs na entrada da Biblioteca!  Diante desta conclusão, voltei a olhar a criatura que agora tentava negociar sua vida e ainda barganhar algum item para sua coleção. Quem, numa situação destas tenta negociar? Redirecionei a conversa para compreender melhor quem são nossos adversários. Pelo menos um deles.
Rorth estava cansado e queria ser solto a qualquer custo. Cooperava pouco e disse que não poderia dizer mais nada ou seria morto.
                -Por quem? Eu perguntei e tremendo muito ele respondeu:
                - Hu-Jat vai me matar se eu disser!
                - Você já disse! O que ele vai pensar quando eu contar a ele que você nos levou a ele? Façamos o seguinte Rorth, você me responde o que quero saber e eu te deixo viver!
                O medo era tão grande que ele mal respondia. Eu insisti para que ele acenasse se tivesse compreendido e ele o fez. Depois de algumas perguntas ao agora mais participativo Rorth, descobri com a ajuda de Thorîn que o grupo de Orcs que estão em frente a biblioteca são fiéis a Grummsh, o Deus Caolho. Um seguidor deste Deus desconhece misericórdia. Eu sei disso porque já cruzamos nossos caminhos no passado. Vi do que são capazes e quanto são motivados em combate. Seja quem tenha os tenha escolhido como braço, tem em seu coração o desejo de um serviço feito à qualquer custo e muita maldade!
Que Lolindir nos proteja!
               


Encontros e Destinos

        Depois de obter respostas suficientes para nos direcionarmos, começamos a pensar no que fazer com o goblin. Solto ele traria problemas , buscaria ajuda e buscaria vingança. Matá-lo seria algo cruel e nos colocaria no mesmo nível que os seguidores de Grummsh. Mestre Thorîn decidiu nocauteá-lo. Aproveitamos os conhecimentos de Nayaha para amarrar  Rorth no mesmo local em que enfrentamos as oozes. Se este Goblin teme algum deus, que comece suas preces, pois o seu destino foi entregue a ele.
                Enquanto nos preparávamos para sair, comecei a sentir alguma presença nos observando, pressentia algum perigo. Por um momento fiquei desorientado, tentando entender o que tinha sentido. Agitado, comecei a olhar para o céu e tentando detectar de onde vinha tal ameaça. Nada vi, nada ouvi. O mestre anão satirizava:
                - Humanos e suas intuições!
                Fiquei frustrado comigo mesmo. Como pude não compreender um sinal tão forte quanto este! Seguimos nosso caminho sem pressa. Estávamos analisando qual a melhor estratégia para chegar a casa de banho. Passamos por uma sala com uma imensa estátua de Alliadanan abençoando a biblioteca com sua mão estendida, um sinal de tempos mais civilizados, um sinal de que a sabedoria não pode ser tomada pelo caos de uma profanação!
                 Quando saímos desta sala meu sentimento de tranquilidade foi substituído por um arrepio na espinha. Mal tive tempo de olhar para o lado quando vi uma criatura  prestes a desferir um ataque surpresa. Só tive tempo para gritar:
                -Goblins! O grito saiu sem pensar. Não havia tempo.
                O grupo parou bruscamente em alerta enquanto quatro goblins pularam dos locais onde se escondiam. Era uma emboscada!  Espadas curtas e motivadas. Seriam essas que nos escaparam na entrada?
                Sem perder tempo dois goblins cercaram Thorîn enquanto outros usavam a mesma estratégia comigo. Uma das criaturas tentou investir sua espada contra mim, mas toscamente pisou numa pedra e perdeu o equilíbrio. Obrigado Lolindir! O erro foi suficiente para eu acertar seu peito com minha maça. O barulho dos ossos se quebrando ao encontrar uma bola de ferro e o movimento do corpo do goblin se deslocando sem vida é uma imagem e tanto . Sem perder tempo, Yagohe e sua incrível destreza atirou duas flechas com destinos mortais para nossos agressores. O som  que fizeram atingiram notas maiores que o balbuciar de suas vitimas.  Mestre Thorîn não deixou por menos e com seu machado praticamente dividiu uma criatura.
                Antes que o machado pudesse decidir o destino do último goblin eu o acertei com uma pedra lançada por minha atiradeira. Foi mortal.
Silêncio, era tudo o que podia ouvir após a última criatura cair no chão. A quietude após um combate é tão grande que é possível ouvir as almas caminhando ainda desorientadas. Seus corpos ainda quentes ainda tinham um trabalho a fazer - mostrar as marcas feitas pelos Orcs. Estes goblins foram torturados e marcados com o símbolo de Grummsh. Essas marcas são feitas depois que um olho é arrancado enquanto o ferro que deixa a marca arde na brasa. Só Ellanos sabe como sobreviveram!
                Em nenhum momento fui tomado por arrependimento, havia muito no que pensar, nosso objetivo estava em risco! Orcs, criaturas aladas, figuras que ainda estavam  ocultas. Todo passo precisava ser medido e rápido.
                Nayaha escondeu os corpos de forma que não fossem encontrados ao acaso, enquanto isso Thorîn parecia insatisfeito com a exploração que fizemos na biblioteca e estava ansioso por novas respostas.  Aceitei de bom grado participar desta exploração, afinal era um bom momento para analisar com mais cuidado o sonho que tive.
                Enquanto o mestre anão percorria outros lugares da biblioteca eu analisei as pegadas dos Orcs. Elas iam para noroeste. Se Rorth nos deu essa informação, é bem possível que os Orcs também a tenha. Casa de Banho, esse era nosso destino e nossos concorrentes já partiram.
                 Antes de tirar qualquer outra conclusão, vi uma fumaça ao norte. Não era nenhum sinal, pelo menos não com a intenção de se comunicar, algo queimava. Nossos adversários são destemidos. Precisamos alcançá-los sem demora e sem perder o efeito surpresa.
                - Türgon! Gritou mestre Thorîn.
                Rapidamente me dirigi a ele. A descoberta que fez era importante. Era o caminho que Rorth usava para entrar na biblioteca. Um pequeno túnel paralelo que não sabemos onde ele leva, mas possivelmente o destino seria a toca do profanador de bibliotecas. Acredito que lá existam mais informações. Páginas que o Rasgatomo não compreendeu. Talvez noutro momento sigamos esta trilha, no momento nosso destino está em outro lugar.

4 comentários:

Carlos DnD disse...

Boi! ótimo texto, eu lí do início ao fim sem parar. Tá muito bem escrito, parabéns!

E que venham os próximos!

Érico Tashiro disse...

Adorei o texto, realmente muito bom. Parabéns, quero mais!

Carlos DnD disse...

Tá foda né? realmente com requintes de literatura. Sem deixar cair a peteca. muito bom!

Welliton Luís de Lara disse...

Valew Guys! O Comentário de vocês é importante para mim. Charles, valew muito pelo suporte técnico durante o processo!!!