sábado, 16 de julho de 2011

As Pedras da Aniquilação - Episódio 10

Essa foi a sessão final da aventura As Pedras da Aniquilação, baseada livremente na ótima aventura HS1 the Slaying Stones, do Logan Booner; modifica e aprimorada para se adequar ao estilo do nosso grupo. Quando escolhi esse módulo, foi na tentativa de jogar uma aventura que representasse o senso mais clássico possível da palavra Dungeons & Dragons.  Achei excelente.  Adorei mestrar para vocês por doze sessões, e espero que vocês tenham gostado de jogar a aventura tanto quanto eu gostei de mestrar!

EPISÓDIO 10. Fuga de Gorizbaad! (fim da primeira temporada)
Seção – 12
No último episódio Turgon liderava o grupo atravessando as águas caudalosas do grande rio, seguido por seu urso - Nayaha e os demais membros do grupo logo atrás. Nesse instante emergem das águas figuras sinistras envoltas por brumas. Primeiro elmos córneos de bronze desgastado, seguidos de corpos humanizados cobertos por armaduras de batalha envelhecidas e longas capas carmim encharcadas carregadas pelas correntezas. Portando espadas embainhadas, três cavaleiros cujas faces não se vêem através dos pesados elmos se aproximam rápida e vorazmente. Eles vêm em busca do precioso artefato carregado pelo grupo.


A Falange Negra emergindo da Água! Que medo vélho!
Numa corrida para chegar á margem antes que os soldados os alcance o grupo se dispersa, Nayaha chegando á margem por um lado Turgon e seu urso pelo outro, Derleck e Torin ficam na água.  Todos movem-se o mais rápido que podem em busca de um local seco, o confronto com os cavaleiros da Falange é inevitável. Com um único golpe, um dos undeads derruba Urundur, o urso espiritual de Turgon, que se desfaz numa lufada de luz. Nayaha desfere o seu melhor tiro com o arco, que é rebatido pelo braço do cavaleiro como num reflexo de quem espanta as moscas a sua volta. Turgon porta a pedra, ele corre. Corre o mais rápido que pode. Nesse momento, lutar e arriscar perder a pedra não é uma opção.  Suas energias já lhe faltam, ele usa o pouco que lhe resta para conjurar Urundur novamente. Este que aparece já com as quatro patas em rápido galope. Nayaha ainda tenta nova investida, mas as armaduras parecem espessas demais para suas flechas.

Os Cavaleiros ignoram o restante do grupo, perseguindo apenas Turgon, o portador da Pedra. Conjurando montarias fantasmagóricas, iniciam uma selvagem corrida atrás do Druida ferido e seu urso. O resto do grupo os segue a pé. Surgem cipós e a floresta se adensa. Espinhos e raízes no caminho tornam mais penosa a jornada. Urundur ignora as dificuldades e galopa á máxima força. Nayaha, leve, os segue de perto evitando as dificuldades da floresta densa com graciosidade e destreza.
No Covil de Tirystis, Yagohe e seu tio aguardam pacientemente a volta de seus companheiros solitários na pequena ilha no meio da gruta. Tirystis se aproxima e agora parece diferente, suas idéias estão mais claras, uma vez que a Pedra lhe foi afastada.  Ela conversa com o Eladrin, e confessa que é um alívio ter se desfeito do artefato maldito. Usando seus feitiços, a dragão visualiza a presença da Falange Negra, e o perigo que seus companheiros correm. Yagohe deve ser libertado imediatamente para auxiliá-los.
A perseguição dura horas por dentro da mata. A histamina de meros homens não seria suficiente para sobreviver a esse teste de resistência. Heroicamente Urundur leva Turgon até os porões de Gorizbadd, É possível avistar ao longe uma coluna de luz cercada de runas. Esse é o portal preparado por Treona. É a chave para a fuga definitiva. Mas a situação ainda pioraria, uma grande Horda Goblin marcha para fora do portão guardando a área do portal. Os heróis teriam que ultrapassar essa coluna viva antes de atingir seu objetivo.
Ao se deparar com Goblins Turgon primeiro se vê face a face com seu líder, Hu-Jat, um Hob-Goblin, montado em uma criatura reptiliana de grande porte. Os cavaleiros mortos chegam em seguida. Turgon está cercado por todos os lados e sozinho. A proteção de Lolindir, apenas, não bastará.  Usando o seu Roar of Terror o Druida derruba um contingente enorme de Goblins, e atordoa Hu –Jat abrindo caminho no meio da massa, mas ainda é um longo trajeto até o portal. Os cavaleiros estão no seu encalço. 
Quando parecia tudo perdido surge reforço vindo dos céus. Yagohe monta Tirystis que sobrevoa atacando com suas garras os cavaleiros que perseguiam Turgon. O ataque não os derruba, mas atrai a atenção deles, que revidam, dando tempo ao druida para que fuja. Nayaha surge entre os arbustos desferindo flechas nos cavaleiros mortos. Suas armaduras continuam fortes demais para as flechas que parecem varetas inofensivas. A heroína percebe que os adversários são fortes demais para ela, talvez para todos.  Usando suas vinhas mágicas Turgon vai tirando o que pode do seu caminho e marcha penetrando a coluna goblin até o portal. Recebe uma chuva de flechas, espadas vindas de todos os lados cortam sua pele e a de seu urso. Porém, os cavaleiros não mais o alcançariam, distraídos com Tirystis, Turgon os deixa para trás e mergulha no Portal, pronunciando as palavras mágicas de abertura.  Yagohe e seu tio saltam do dragão para o portal assim que tem a primeira chance, Nayaha os segue e logo depois Derleck, Thorîn e Cormack cruzam a passagem mágica. Do outro lado do portal os heróis espalhados no chão da floresta num local distante, ainda confusos com o novo espaço vêem a imagem do um dos cavaleiros se desfazendo no fundo do Portal. O Grito ecoante da horrenda figura: “Nããããoooo” se desfaz junto com a imagem borrada dentro do portal que se consome e desaparece no ar. 
Os heróis caem exaustos no chão, a última pedra da aniquilação na algibeira de Turgon. À frente deles, a torre de Treona o destino final dessa aventura.
Treona surge junto com Kiris Alkirk, Turgon caminha a pesados passos para lhe entregar a pedra. Os preparativos para o ritual se iniciam. Treona começa a riscar a mesa fazedno um círculo com runas em volta da pedra. O medo e tensão parecem tomar conta do lugar. Os personagens começam a desconfiar de Treona, Estaria ela conjurando um feitiço para destruir a pedra, ou para se apossar de seu poder? Athaeil propõe não destruir a pedra, seduzido por seu poder. Yagohe se prepara para o caso de Treona surgir com alguma surpresa. OS olhos da ritualista se reviram enquanto profere palavras de origem abissal, escritas pelos próprios tieflings que encantaram a pedra. Kiris Alkirk se posiciona protegendo Treona. A pedra parece ter vontade própria para lutar contra sua destruição. Sua força caótica a todos afeta nesse instante. A tensão cresce a um ponto que por um fio não eclode o combate entre os presentes. Seria a carnificina final.  Histórias antigas nos velhos pergaminhos da biblioteca contam sobre pessoas que tentaram conduzir um ritual para destruição da pedra, mas falharam, matando-se uns aos outros e sobrando apenas a pedra intacta.
Numa espiral de vento e energia os objetos no saguão principal de torre são atirados por toda parte, os presentes são compelidos contra a parede com força e numa enorme explosão de luz vermelha. Treona é arremessada para trás caindo inerte no fundo da Torre. Após o primeiro impacto, os heróis se levantam lentamente. Treona está caída sem vida nos braços de kiris Alkirk que chora. Athaeil se dá conta do mal que caíra sobre sua antiga amante, e une-se a Kiris. Os aventureiros, um a um, se aproximam da mesa destruída no meio da sala. Uma marca de queimado no chão de pedra cinzenta e estilhaços de madeira espalhados por toda parte revelam após uma inspeção mais cuidadosa, no meio da marca de queimado, intacta, a última Pedra da Aniquilação.
Num misto de dúvida e frustração fica uma nuvem negra pairando sobre a cabeça confusa e exausta dos heróis. Após todo esse esforço, teria a Pedra da Aniquilação vencido a todos afinal?
*  *  *
EPÍLOGO: O destino Final da Pedra da Aniquilação
No dia seguinte Yagohe conversa com Turgon logo cedo, sobre como guardar a pedra, pois era um artefato perigoso demais. Se Treona não conseguira completar o ritual, quem poderia? Nayaha se une aos dois, ainda antes dos primeiros raios de Sol. Turgon recorre a algo maior, e com evoca a presença de Precisto, através de um antigo rito conhecido apenas pelos Druidas. Precisto, um Ente Arqui-Fada, entidade outrora mortal que ascendeu á imortalidade como um dos guardiões da Agrestia das Fadas não se presta a responder qualquer chamado, somente os relevantes de fato. Invocar sua presença em vão se qualifica até mesmo como grave afronta aos seres feéricos. Turgon confia que esse não é o caso. Num breve momento a floresta toda silencia, para ouvir a voz de Precisto que surge da água do rio. Turgon respeitosamente questiona o que fazer com relação á Pedra. A voz ancestral do Ente estremece o coração dos ouvintes. Brevemente ele profere que os heróis têm em mãos tudo que precisam para destruir a pedra eles mesmos, só precisam de confiança. Quando a presença de Precisto se vai, lágrimas escorrem dos olhos do druida. Conversar com o Ente nunca se tornará algo corriqueiro.
Turgon percebe que pode tentar salvar Treona, examina o corpo para tentar entender a morte na noite anterior, Nayaha o Auxilia. Yagohe estuda os vestígios do ritual de Treona e lê cuidadosamente cada pergaminho, tentando entender o que deu errado. O druida entende que Trona havia sido drenada pela força da pedra, e encontrava-se em estado cataléptico. Não lhe restava nenhum fio de energia para lhe tirar desse estado.  Os druidas conhecem formas de curar pessoas ativando a própria energia inerente que possuem dentro de si, alguns conseguem até mesmo ressuscitar mortos, porém esse poder não está ao alcance de Turgon Oak. Um poder menor permite que retire uma mínima quantidade de vitalidade de uma criatura e transfira para outra. Enquanto isso, Yagohe estuda os papéis por horas e chega à conclusão de que pode refazer o ritual. Alguns dos ingredientes estavam disponíveis, mas faltava residum, o pó mágico extraído de armas mágicas quando são “desencantadas”. Yagohe e Turgon doam alguns dos tesouros coletados.  Nayaha doa uma parcela de sua vitalidade para Turgon, que através de sua clava transfere para o corpo inconsciente de Treona. A mulher idosa respira novamente. Turgon a estabiliza, usando seus conhecimentos medicinais. Treona ainda viverá por muito tempo, se depender desses heróis.
Mais tarde, após toda a preparação Yagohe risca o chão de pedra e começa o ritual. Auxiliado por seu Tio Athaeil e Treona, carregada por Kiris e Turgon, o eladrin profere as mesmas palavras usadas por Treona na noite anterior. A força arcana de Yagohe Liebersimm de longe supera os dotes da velha ritualista, e sob a mesma espiral de energia numa explosão negra seguida de um frio intenso misturado a um cheiro de cinzas queimadas, a Pedra da Aniquilação se desfaz em pó. O último dos artefatos criados a centenas de anos a partir de um fragmento do Disco do Caos, agora não mais existe. Um mundo foi livrado de mais um grande mal.
No dia seguinte Nayaha conversa com Treona sobre seu pai, o poderoso rei Hirsmmund, e descobre que as condições do reino de Slargiea estão um tanto quanto decadentes, a aliança quebrada com Talis não teria ajudado em nada um país já esfacelado. Nayha se pergunta até que ponto sua ação de fugir do casamento com o príncipe de Talis teria repercutido na atual situação do reino. São perguntas  a serem respondidas num futuro próximo.
Treona agradece, mas nega o convite em seguir com o grupo. Diz que pretende ficar em sua torre aguardando o dia em que Crommanthus se reerguerá das cinzas e prepara a última refeição para os heróis.
A velha ritualista agradeça a Yagohe, que agradece de volta, pela chance de ter aprendido tanto no meio dessa jornada. Itens mágicos coletados, conhecimento adquirido, e o melhor, algumas boas histórias para contar. Treona ressalta que os aventureiros foram por demais bravos e valorosos, realizando grande proeza em destruir um artefato maligno. Turgon, silenciosamente concorda com Treona. Ele sabe que trazendo de volta o grupo inteiro e salvando algumas vidas no meio do caminho, redimindo o que estava profanado, e destruindo o que é aberrante sua missão está cumprida.
O que o futuro reserva a estes aventureiros é um mistério. Sabe-se apenas que o universo conspirou a favor do nobre grupo de heróis que cruzou seus caminhos nessa mesma encruzilhada numa velha torre a muito esquecida na floresta da cidade outrora conhecida como Crommanthur. Não por acaso o destino os colocou no mesmo momento naquele lugar, mas sim para realizar um feito que dificilmente conseguiriam sozinhos. Feito este que certamente será digno de um capítulo nos livros de histórias contados pelos mestres de Slargiea, muitas gerações depois desta.
D&D Total Fun! Até a próxima aventura!

3 comentários:

Welliton Luís de Lara disse...

A campanha está sensacional! Ouso colocar este verbo no presente pois ainda temos o que fazer. Mesmo com um desfecho épico, o grupo conseguiu abrir possibilidades. Este é só um "time out"!

Charles, parabéns pelas narrativas. Mesmo diante de um novo sistema, a essência foi preservada. Parabéns ap grupo por aderir com certa facilidade a um programa que ainda amadurece!

Welliton Luís de Lara disse...

Aproveitando a deixa do comentário anterior. O Fantasy Grounds conseguiu reunir o que o grupo tem de melhor. Desenhos, mapas, música de fundo e uma interação praticamente flawless graças ao skype. Quando esta prática começou não havia certeza que ela tomaria uma dimensão tão profunda para o RPG. Este é o meu sentimento e pensamento. Estou "babando" de ansiedade para novas aventuras.

Carlos DnD disse...

Boi, Valeu pelos comentArios! Obrigado pelos elogios! muito massa o que vocês disse! Vamos trabalhar juntos (todos os jogadores)nas histórias para que as próximas aventuras sejam ainda melhores! Os players estão num nível de maturidade muito bom pra gente extrapolar e chegar em histórias mais e mais interessantes. Essa aventura foi apenas o começo!