terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Épico, Heróico, Escuro

Voltando a ampulheta do tempo para 1999, nosso grupo terminava uma longa aventura épica num gênero que se aproxima dos clássicos “Capa e Espada” e “Espada e Magia”, com uma boa injeção de “pulp” na mistura. Tudo ambientado na Garganta do Dragão, um cenário que tinha sua base ideológica em Dragon Lance com tons de Conan e Indiana Jones. A famosa aventura “Busca pelos Discos” levou o grupo do level zero até os meados do level 11, 12. Os chamados “name levels” que na primeira edição entitulavam o PC a atrair seguidores e estabelecer a sua fortaleza.
 
A “Aventura dos Discos” durou vários anos e os jogadores na mesa tiveram personagens que morreram, ou foram substituídos no meio do caminho. Coisa normal dentro de D&D.  Fedor, Simon Gartlander, Derleck Hammerhand, Athila, Valtimorh Lirock Vill II, são nomes que dificilmente irei esquecer. Pra mim, são entidades que partilham em parte as personalidades de seus jogadores. A aventura foi tão grande que quando chegamos ao fim, o desafio era fazer outra ainda mais épica. Não sabíamos se era possível, mas muito foi aprendido no caminho, e a idéia era explorar coisas novas.

Na gigantesca campanha, a ação girava em torno de um grupo de anti-heróis, que acidentalmente entravam numa aventura marítima, que a primeira vista parecia ser uma busca ao tesouro, mas terminava revelando que "os Discos" - poderosos artefatos de pedra que flutuam nos planos elementais e regem o equilíbrio entre as forças do bem, mal e neutralidade - estavam em risco. No fim tudo é salvo e o mundo continua sendo como sempre foi. Na aventura seguinte, a ideia natural era reverter os PCs de anti-heróis para heróis, havia uma certa tendência no grupo para esse salto. Eu sempre preferi jogar com os anti-heróis, particularmente, por serem mais irresponsáveis e divertidos, mas havia uma curiosidade em conduzir um jogo onde os PC tivessem que de fato tomar atitudes responsáveis, onde alguma psicologia estivesse envolvida. Algo que eu queria com a próxima aventura era colocar na mão dos personagens o desfecho de eventos que mudariam a campanha, para o bem ou para o mal.

Assim nasceu a campanha “Contra os seguidores de Thendalisen”. Com a vitória um deus seria banido do panteão, com a derrota um futuro terrível aguardaria os descendentes de nossos heróis. Jogamos essa aventura por um ano, não foi suficiente. No ano seguinte fui viajar para estudar e desde então comecei a morar em São Paulo. A aventura nunca terminada.


Fast Forward para 2014 e temos um novo grupo, com alguns personagens antigos misturados com novos. A aventura atual ambienta-se 50 anos após “Contra os Seguidores de Thendalisen” e para aproveitar a deixa da “aventura inacabada” comecei a costurar em minha mente como teria se tornado o mundo se os PCs tivessem sucumbido em sua missão de abafar o golpe de estado dados pelos Seguidores de Thendalisen. A resposta será respondida nas próximas sessões da Garganta do Dragão.